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Lodo de esgoto: adubando a agricultura

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lodo de esgoto

Não há como falar em tecnologias sustentáveis sem ressaltar o problema do lixo, hoje um de nossos maiores desafios. O que fazer com ele? Somente o esgoto produzido diariamente em todo o mundo, representa volumes astronômicos. Como não podemos conviver com esses detritos tão inconvenientes, a “solução” mais comum consiste em canalizar tudo e enviar para o mais longe possível. Mas os efeitos podem ser devastadores. Nos rios, o excesso de matéria orgânica provoca um fenômeno chamado eutrofização: a população de microrganismos cresce de forma descontrolada, consumindo todo o oxigênio dissolvido na água e causando a morte de peixes e outros seres vivos.  Ao mesmo tempo, substâncias tóxicas são disseminadas através da cadeia alimentar, prejudicando ecossistemas inteiros. Por esses motivos estações de tratamento de esgoto começaram a ser instaladas em muitas cidades, embora a maioria ainda não conte com este serviço. E surge um novo dilema: o que fazer com as toneladas de resíduos que sobram ao final do tratamento?

A primeira opção é enviar para aterros sanitários, assim como fazemos com o lixo comum. Não é a melhor escolha, já que esses aterros ocupam áreas cada vez maiores e sempre há o risco de contaminação ambiental. Outra alternativa é a incineração, um processo caro e que não destrói completamente todos os poluentes presentes no lodo de esgoto, como os metais pesados. Em busca de uma solução mais sustentável, décadas atrás países da Europa começaram a estudar meios de aplicar esses resíduos na agricultura. A lógica é simples: o lodo de esgoto é formado basicamente de matéria orgânica, fonte rica de macronutrientes (aqueles que as plantas precisam em maior quantidade) e micronutrientes (necessários apenas em pequenas doses). Não fossem os riscos sanitários, seu uso como fertilizante seria razoavelmente simples. Mas não é.

Cada estação de tratamento produz um lodo de esgoto diferente, dependendo do tipo de resíduo tratado: domiciliar, industrial, ou ambos. Desta forma, fica difícil estabelecer um procedimento padrão para transformá-lo em adubo. O jeito é adaptar: cada caso é um caso. Primeiramente todos os “lotes” de lodo precisam ser avaliados para definir se poderão ser utilizados na agricultura. Excesso de metais pesados pode ser um empecilho, pois não existem meios eficazes de eliminá-los. Esgoto hospitalar obviamente também não pode virar adubo. O próximo passo é reduzir a quantidade de microrganismos patógenos, o que pode ser feito com técnicas de compostagem ou com tratamento a base de cal. Esta etapa é de grande importância, pois evita a contaminação dos alimentos cultivados, além de reduzir a possibilidade de transmissão de pragas para as plantações.

Embora pouco divulgado, desde 1999 existem normas para a correta utilização do lodo de esgoto na agricultura brasileira. Pesquisas são realizadas até hoje para aprimorar seu uso, já que nossos solos tropicais seguem uma dinâmica muito própria, nos impedindo de aplicar integralmente os conhecimentos acumulados pelos europeus. Hoje sabemos que, além de oferecer nutrientes, o lodo de esgoto também melhora a estrutura do solo, aumentando a retenção de água nos solos arenosos e tornando os solos argilosos mais permeáveis.

Os resultados são promissores e no Brasil o lodo já tem sido utilizado em culturas de milho, cana-de-açúcar, café, arroz e até mesmo palmito-pupunha. Existe um apelo maior para sua aplicação na silvicultura, como o cultivo de eucalipto, uma vez que os riscos sanitários são evidentemente menores. Enquanto isso, estudos pioneiros buscam alternativas para os resíduos considerados impróprios para uso na agricultura. A idéia é gerar energia. Ainda este ano inicia-se uma fase de testes para a produção de biometano.

Crédito da foto: SuSanA Secretariat (flickr)

Referências

BETTIOL, W. & CAMARGO, O. A. 2006. Lodo de esgoto: impactos ambientais na agricultura. Embrapa Meio Ambiente, 349p.

BOVI, M. L. A. et al. 2007. Lodo de esgoto e produção de palmito em pupunheira. Revista Brasileira de Ciências do Solo 31: 153-166.

BRASIL, Resolução nº 375, de 29 de Agosto de 2006. Define critérios e procedimentos, para o uso agrícola de lodos de esgoto gerados em estações de tratamento de esgoto sanitário e seus usos derivados, e dá outras providências. Disponível em: < http://www.mma.gov.br/port/conama/res/res06/res37506.pdf>. Acesso em: [13.02.2012]

CASTILHO, P. Brasil produzirá combustível a partir de lodo de esgoto. Folha.com, 9 de novembro de 2011. Disponível em: < http://www1.folha.uol.com.br/ambiente/1003967-brasil-produzira-combustivel-a-partir-de-lodo-de-esgoto.shtml>. Acesso em: [13.02.2012]

FYTILI, D. & ZABANIOTOU, A. 2008. Utilization of sawage sludge in EU application of old and new methods – A review. Renewable and Sustainable Energy Reviews 12: 116-140.

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